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Manifesto Comunista em cordel

Joan Edessom Publicado em 27.03.2007

Vez ou outra, alguém anuncia a morte do cordel. Zerivan de Oliveira, cordelista, mestre e doutorando no assunto, costuma dizer que nunca viu um bicho mais resistente do que esse tal de cordel, vivem dizendo que ele morreu e ele inventa de ressuscitar.

      Aqui no Ceará, onde já mataram o dito bem umas duas dezenas de vezes, ele continua vivinho da silva. Da Silva e de Souza, de Oliveira, de França, Viana, Amâncio, e quantos outros sobrenomes tenha.

      Um sujeito aqui da província, Klevisson Viana, desses cearensezinhos metidos, que não acredita muito que só tem cultura no eixão maravilha, há bem uns vinte anos se dedica quase que exclusivamente ao cordel. Já publicou, dele e dos outros, pra mais de milheiro de títulos, na sua Tupynanquim Editora. Já teve cordel adaptado até pela Globo.

      Pois bem, a mais recente arrumação do Klevisson é um cordel de Antonio Queiroz de França, cearense da Jaguaretama que já publicou sobre Olga Benário, Luís Carlos Prestes, Antonio Conselheiro e Che Guevara.

      Agora, Antonio Queiroz de França escreveu um baita dum romance de cordel, desses de quase duzentas sextilhas, bem escandidas no melhor do cordelês. Colocou no livrinho o Manifesto do Partido Comunista, de Marx e Engels. Material de primeira qualidade, pelo original e pela adaptação.

Um grande gênio alemão
E um outro camarada
Prepararam uma tese
Da humanidade estudada
E descobriram a causa
Da fome verificada

Foi de Karl Marx e Engels
A grande ação humanista
Quando lançaram ao mundo
O Manifesto Comunista,
Dizendo que nosso grito
Necessita ser conquista

Diziam no Manifesto
Que existia um fantasma
Rondando toda a Europa
(de medo o Estado pasma),
que prometia dar fim
entre nós, num cataplasma

      Antonio Queiroz continua pelas trinta e duas páginas do folheto, reconhecendo que O Manifesto Comunista/ Está ainda atual/ Pois a causa da miséria/ É aquele antigo mal/ São riquezas concentradas/ Em forma de capital.  O folheto traduz bem o texto, adaptado para os versos do poeta. É um desses trabalhos que em muito podem ajudar a divulgação da teoria, especialmente entre os trabalhadores. De quebra, mostra que o cordel está vivo, bem vivinho, um espectro rondando os patrocinadores/feitores da cultura de massa.

      Querem conferir? A Tupynanquim Editora tem sede na Avenida Bezerra de Menezes, 2071 – Sala 208 – São Gerardo – CEP 60325-004, em Fortaleza – Ceará. E também tem telefone (85-32172891) e endereço eletrônico ([email protected]). O meu exemplar, que ganhei de presente do Inácio Carvalho, comunista que gosta de cordel, e dos vivos, eu não empresto, nem vendo, nem dou, igualmente a égua de seu Luiz Lua Gonzaga. Mas até topo comprar uns por aqui pra mandar pros comunistas leitores desse portal que por acaso se interessarem.