[email protected]

Convescote - poesia, umbu e lembranças

Lucia Ana Publicado em 27.06.2008

*

      Final de tarde de domingo. Rapidamente a varanda escureceu. O sol sumiu atrás dos prédios. Olho o relógio, são 18.00 horas. Levanto e começo a me preparar. Hoje vou a um convescote. Isto mesmo um convescote literário. Poesias de Carlos Drumond de Andrade e Manuel Bandeira, com a presença da poeta Cida Sepúlveda.

      Estava feliz em poder participar deste encontro. Há tempos venho pensando em organizar um sarau de poesias. Quero dividir com os amigos os momentos mágicos que a poesia nos proporciona.
      
      O telefone toca, minha amiga está chegando. Desço e espero embaixo do bloco. O vento frio do final de abril acaria o meu rosto. A noite está linda. 
      
      Chegamos. Entro pela mão de minha amiga Kátia Abreu, que trouxe vinho e suco de umbu. Somos recebidas por Luís Cesar, dono da casa. Algumas apresentações e já fazemos parte do grupo.
      
      Mesas são preparadas cuidadosamente com vinhos, sucos e petiscos. A ampla sala está totalmente tomada pelos amantes da poesia. Uma taça de vinho, como uma preparação.
      
      Silêncio. Começa o recital. De um lado, Marco Antunes é Drumond, do outro Luís Cesar é Bandeira.
      
      Vozes fortes como um feixe de luz invadem minha mente e meu coração. A sala é quente. O calor humano não permite a entrada da brisa fresca que ronda a casa. Estou emocionada. Sou completamente dominada pela poesia. Apenas um Ipê Amarelo, um belo quadro, do meu lado esquerdo teima em querer desviar minha atenção.
      
      Que maravilha! De repente um som de acordeon toma conta do espaço, acompanhado por um tímido pandeiro.
 
      A música chegou marcando presença, como se falasse: agora sim o convescote está completo.
      
      O intervalo chega na hora certa. É preciso respirar. A emoção tomou conta de mim. Não consigo pensar em mais nada. Sinto a poesia saindo pelos meus poros. Que sensação deliciosa!
      
      Tomo um copo de suco de umbu. Como se viesse do nada, um paladar veio atiçar minhas lembranças. Bons e engraçados tempos da minha infância. As cantigas de rodas: ciranda cirandinha... Terezinha de Jesus... lagarta pintada... escravos de Jó... as brincadeiras: boca do forno... passar o anel... e as poesias, contos e estórias. Que belo reencontro com o passado.
      
      A noite foi um presente. A poesia certamente será o futuro.