[email protected]

Lago Oeste, natureza e vida

Lucia Ana Publicado em 22.08.2008

*

      Domingo cedinho e eu já estava na estrada  rumo ao Lago Oeste. O dia era lindo e ensolarado.

      Cheguei. E antes de começar a cuidar de minhas plantas, sentei na varanda em companhia de um solzinho que me fazia carinhos. Eu não sei dizer exatamente o que sinto ali no Barro Vermelho, mas é fato que aquele pedaço de chão mexe muito comigo e a cada dia se torna mais especial.
 
      Comecei um jardim e um pomar. Plantei algumas mudas de frutas e de flores. Um complemento a uma pequena reserva do cerrado que preservo dentro da minha chácara. Reserva que já me permite sentir aromas característicos, cheiros de espécies nativas que me cativam. E essa matinha começa a se transformar num jardim poético que inspira recordações e poesia. Fico horas cuidando da terra, das plantas, envolvidas pelos melhores pensamentos, tenho a solidão como companhia e as borboletas como ouvintes. Estes são momentos mágicos que dão sentido a minha vida. Sol, vento forte. Meados de agosto e o vento continua castigando, soprando pra longe os males e deixando em casa uma brisa que me forlalece.

      Não me importo de ficar sozinha cuidando de minhas plantas, aliás nos últimos tempos é o que tenho feito sempre. Estou absolutamente só. Confesso que às vezes gostaria de ter alguém comigo. Dividir minhas descobertas, pedir uma sugestão, trocar idéias, enfim, conversar ou simplesmente sentir uma presença humana. Mas...Nestes tempos de solidão, tenho aproveitado para repensar planos e continuar fazendo projetos.

      Este trabalho, na verdade,  momentos prazerosos, me aproxima da natureza. Começo a mexer na terra, na mata e a sensação é deliciosa. Flores, frutos e árvores até então completamente desconhecidas me encantam. Sou uma aprendiz das questões ambientais e a cada momento me surpreendo com a grandiosidade da natureza.

      Em plena seca o visual é incrível, o verde, o cheiro do mato e um céu que parece estender um azul infinito, como cobertura, para me proteger. Sinto-me uma mulher privilegiada e naquele pedaço de terra começo também a plantar outras sementes...
      
      Bendito tempo.
      Tempo de espera.
      Tempo de esperança.
      Tempo de certeza. 
               
      E a vida continua a cada instante com seu esplendor. 

      Beija-flores começam a dividir este espaço comigo e chegam trazendo cor, brilho e vida a minha casa. Casa ainda inacabada, que aos poucos vai ganhando charme. Ultimamente estou vendo poesia em tudo, até minha quaresmeira que ainda não se manifestou sequer com uma florzinha para mostrar sua cor, me encanta. A sua folhagem está viçosa e a cada final de semana ela se mostra mais cativante.
      
      Aos poucos  vou formando uns cantinhos próprios para meditar, ficar em silêncio ou simplesmente curtir a tranquilidade. Lugares aprazíveis para uma boa leitura. Acho que aqui é preciso fazer um reparo. Quem tem a companhia de Carlos Drumond de Andrade, na verdade nunca está só. O ser humano é sempre muito exigente, não fujo à regra...
        
      As romãzeiras em flores me fascinam. Estou feliz em saber que logo terei frutos. Estou cultivando-as com muito carinho. Esta é uma lembrança viva de minha avó Maria Hygina, que também cuidou de um jardim de romãzeiras em outro Barro Vermelho.
               
      O prazer do contato com a natureza têm me feito um bem enorme. É ali que tenho conseguido forças para continuar viva. Sinto-me confiante e sempre mais revigorada para continuar a luta diária, que não tem sido fácil, nestes últimos tempos. A cada dia acredito que o Lago Oeste chegou como um presente na minha vida. E sempre que volto de lá, venho envolvida por uma energia poderosa, uma força renovadora que me alimenta.
          
      Viva a natureza! Viva a vida!