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O café da janelinha

Lucia Ana Publicado em 24.10.2008

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      Pedro II, me surpreende a cada dia pela hospitalidade, pela generosidade e pela criatividade.
      
      A minha paixão por Pedro II, é cantada em prosa que sempre se derrama em poesia.
                 
      Este final de semana, 18 e 19 de outubro, voltei a minha cidade. E pela primeira vez, uma viagem de trabalho: fechamento de uma revista que terá como foco, exatamente a cidade de Pedro II. Não estava sozinha, desfrutei da companhia de um grupo de profissionais qualificados. A indentidade com o projeto e o encantamento que a cidade despertou em cada um, transformou nossa atividade em deliciosos momentos entre amigos.
                 
      Sábado à noite, depois de um dia cheio, uma agenda cumprida com sucesso e entusiasmo. A emoção tomava conta de mim e a paixão que surpreendentemente aumentava, guiava nossos caminhos. Estava literalmente vestida de amor pela cidade. Jantamos no recanto dos amigos. Podem acreditar: uma leitoa assada, prato chefe da comida regional. Pecamos pela gula... e bebemos para saborear cada passo.
                
      Na volta pra casa Paulo Gutemberg, sugeriu tomar um café expresso. Onde? De repente Marcos parou o carro e cumprimentou uma amiga, já com a pergunta:
                 
      - Dodora, onde podemos tomar um cafezinho?
                 
      - Aqui. Na janelinha. 
                 
      Que surpresa maravilhosa!
                
      Descemos, todos, do carro. A janela da casa estava fechada. No seu parapeito, duas garrafas térmicas com café. E copinhos descartáveis. Não fosse a falta do ''creminho'' em cima do café, podíamos dizer que tomamos um expresso, pelo cheiro do café torrado e o gosto forte tão presentes. O aroma do café tem sempre um pouco de quem o preparou. Tem alguma magia... É a energia da força do movimento que agrega valor. E ali, esse conjunto se nomeava aconchego.
                
      É interessante como o café aproxima. Naquele momento, era um companheiro presente na noite serena, suavizada pelo vento que descia das serras.
                
      Observei a roda de conversa na calçada, aquecida pelo café - o prazer de degustar as palavras, que caiam perfumadas pelo aroma que instiga a imaginação. Horas do repouso noturno, aquele doce far-niente, que alimenta o espírito. Um tempo que não se conta. Olhei a cena com olhos de saudade: a beleza da simplicidade que engrandece a alma da cidade.
                
      Uma alegria e um carinho capaz de aquecer corações.
                
      Entramos no carro agradecidos pela delicadeza do gesto.
                
      Obrigada, Dodora pelo carinho e pela capacidade de encantar. 
                
      Marcos, Paulo Gutemberg, Vandré Barros e Marcelo Rosas, juntos descobrimos mais um canto de poesia em Pedro II: o café da janelinha.