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Somos todos responsáveis?

Erlon Paschoal Publicado em 15.01.2009

Dia desses ouvi alguém afirmando que os brasileiros são uns irresponsáveis. Será verdade? O que é responsabilidade afinal? Será que se trata de uma noção básica para se aprender a viver pacífica e harmoniosamente em sociedade?

      "Sem responsabilidade, pouca contribuição daremos ao mundo em que vivemos. Mas o que significa de fato assumir ou ter responsabilidade? Sentir-se conscientemente responsável?"

      Quando e onde aprendemos pela primeira vez que existe algo chamado "responsabilidade"? Que idéia afinal todos nós fazemos disso? E de quais fatos e concepções depende o nosso senso de responsabilidade? Sabemos muito pouco a respeito. E quase não refletimos sobre esse conceito básico sem o qual não se pode viver de maneira democrática.

      Na linguagem cotidiana entendemos "responsabilidade" ou "senso de responsabilidade" como sinônimo de "credibilidade", "cumprimento do dever", "escrupulosidade". Mas isso não expressa todo o sentido do conceito. A linguagem jurídica, ao considerar a responsabilidade, refere-se à imputabilidade psicológica de uma pessoa, à autoria de um ato ou de uma ação. Ela pode então ser responsabilizada por tudo o que fizer.

      A ética contemporânea, contudo, ao considerar o conceito "responsabilidade", refere-se sempre ao relacionamento com o próximo. Assim, o senso de responsabilidade consiste na consciência de se ser obrigado a responder moralmente pelas conseqüências previsíveis e imprevisíveis dos próprios atos. Como quer que se defina esse conceito, basta mencioná-lo para despertar nas pessoas o medo e o sentimento de culpa. A causa disso reside na educação a que todos nós, em maior ou menor grau, fomos submetidos.

      Por essa razão, a responsabilidade passou a ser vista como algo amargo e custoso, e freqüentemente cedemos aos outros nosso direito de decidir. Assumimos assim padrões de pensamento que nos permitem atribuir aos outros a responsabilidade pelos nossos próprios atos. Trata-se de um conceito fundamental numa democracia, mas infelizmente refletimos muito pouco a respeito."

      Torna-se inevitável então refletir sobre ele e buscar formas de compatibilizar esse processo de aprendizagem com a alegria. Afinal, trata-se de algo necessário à convivência sadia entre seres humanos civilizados. A prática da arte, aliás, é uma prova feliz e sempre presente da eficácia desta combinação. O incentivo às atividades lúdicas possibilita sempre uma melhor compreensão de si mesmo, da realidade social e dos valores imprescindíveis para a vida em sociedade.

      Assim poderemos imaginar um país ainda melhor, mais justo e mais responsável.