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E o público?

Erlon Paschoal Publicado em 12.08.2010

      Ainda hoje muitos artistas capixabas se ressentem da falta de público para os espetáculos aqui produzidos, sobretudo, os de dança e teatro. Será que, os prazeres do espírito estariam sendo relegados a um segundo plano? Ou até mesmo abolidos como inúteis? Talvez haja respostas variadas, mas de qualquer modo, uma questão acaba se impondo: que espaço a arte ocupa em nossas vidas? Que importância a prática artística possui em nossa comunidade? Que valor todos nós lhe damos, afinal?

      Por outro lado, eventos como “Agora às 7”, as apresentações da OFES, o Festival Nacional de Teatro de Vitória, a Mostra ABD, a Circulação Cultural e o Vitória Cine Vídeo, ou as exposições realizadas no MAES e no Palácio Anchieta, por exemplo, recebem sempre uma grande quantidade de público, embora sejam todos gratuitos. As Mostras de Audiovisual no interior mobilizam milhares de pessoas, sobretudo jovens.

      Sem dúvida, vivemos um momento de reestruturação do comportamento social, gerado basicamente pela evolução acelerada de uma rede mundial de comunicações que liga, unifica e uniformiza democraticamente as relações humanas. Pois bem, nesta época de internet, vídeo, celular, email, orkut, facebook, twitter - sem falar na criminalidade hedionda e no perigo solto nas ruas em função de nossas anomalias sociais -, os estímulos para se ficar em casa são de fato inúmeros. O teatro e a dança são as linguagens artísticas que mais sofrem com a falta de público. Contudo vale uma pergunta: qual a qualidade real dos produtos culturais oferecidos? De fato atendem ao nível de exigência do público atual?

      Em meio a tudo isso ocorre um fenômeno curioso: pessoas com uma formação cultural significativa - profissionais liberais, professores, publicitários, jornalistas etc. - e os artistas, de maneira geral, pouco cultivam a arte local. É óbvio que o elogio indiscriminado a tudo o que é local denota, além de ignorância, um ufanismo patético e anacrônico. Por outro lado, às vezes realmente é difícil distinguir os amadores dos profissionais, os oportunistas dos competentes, como em qualquer outra atividade. Além disso, um “movimento cultural” só se torna possível mediante o intercâmbio constante e a integração de todos os criadores culturais de uma dada comunidade, em nome de um objetivo comum, independentemente de suas singularidades e opções.

      Seja qual for a explicação, o fato é que lançam-se livros, montam-se peças, apresentam-se shows, fazem-se exposições, gravam-se CDs, rodam-se filmes, organizam-se concertos, festivais... e não há nenhuma discussão, nenhuma avaliação crítica, nenhuma repercussão efetiva, como se a arte não passasse de uma atividade desprovida de sentido e de finalidade, incapaz de gerar riquezas e de contribuir efetivamente para o aperfeiçoamento das relações sociais e para a evolução espiritual de um povo. O exercício do senso crítico é fundamental para o desenvolvimento cultural de uma comunidade.

      O que leva então o público a consumir o que produzimos na área da cultura?