[email protected]

Canto antigo (Viver, ao viajante, uma passagem...)

Li Bai Publicado em 14.08.2015

No princípio da Dinastia Tang (618-907), a “idade de ouro” da literatura chinesa clássica, as pesquisas formais e estudos lingüísticos haviam alcançado alto grau de refinamento na China. Chegou-se, à época, a uma codificação e definição precisas das formas em uso, as quais constituiriam os modelos clássicos, que predominaram até o advento do Modernismo, nas primeiras décadas do século 20. Maior poeta romântico da época, Li Bai é citado por Ezra Pound como o maior exemplo da visualidade da poesia chinesa. Pound o considera o ápice da imaginação visual em poesia. Li Bai é muito conhecido pelas imagens inusitadas e o pensamento taoísta da sua poesia. Assim como Du Fu, Li Bai passou grande parte da sua vida viajando, devido à sua confortável situação econômica, mas também a períodos de exílio político.

 

Viver, ao viajante, uma passagem;
morrer- o passageiro que retorna.
Céu, terra, o mundo, este motel de estrada,
que há dez mil anos junta o mesmo pó.
Coelho em jade à lua entre elixires
e a árvore Fusang desfeita em cinzas.
Dos brancos ossos nada mais se diz
e à primeira, verdes os pinheiros.
Os dias vêm e vão, virão suspiros:
De nada vale a glória, vã, vazia.

 

Livro: Antologia da poesia clássica chinesa
Dinastia Tang Autor: Li Bai Tradução, organização, notas e introdução: Ricardo Primo Portugal e Tan Xiao Editora: Unesp