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Comunistas lamentam morte aos 75 anos do médico Carlos Valadares em MG

Cezar Xavier Publicado em 21.10.2020

Leia as notas de pesar da presidenta do PCdoB, Luciana Santos, e dos comitês estaduais de Minas Gerais e Bahia. Assista um vídeo com a trajetória do militante comunista.

Carlos Valadares

Faleceu na madrugada desta terça-feira (20), em Belo Horizonte (MG), o médico e militante histórico do PCdoB, Carlos Antônio Melgaço Valadares. Valadares tinha 75 anos e sofreu complicações após passar por uma cirurgia no último final de semana.

Natural do município mineiro de Sete Lagoas, Carlos Valadares passou boa parte da vida em Salvador, depois que conheceu a primeira esposa, a professora feminista Loreta Valadares, no movimento estudantil. Por conta das mobilizações contra a ditadura civil-militar (1964-1985), o casal foi preso, torturado e exilado na Argentina e na Suécia – neste último país Valadares concluiu o curso de medicina.

De volta ao Brasil, Carlos Valadares especializou-se em Medicina do Trabalho e passou a atuar junto a diversos sindicatos baianos e no Polo Industrial de Camaçari na defesa da saúde da classe trabalhadora do estado. Foi um dos responsáveis pela implantação do Centro Estadual de Saúde do Trabalhador, o CESAT, criado em 1988, com sede em Salvador. Publicou livros sobre sofrimento mental, lesões por esforço repetitivo (LER) e doenças osteomulculares relacionadas ao trabalho (Dort). Foi o primeiro secretário do Meio Ambiente e Defesa Civil de Salvador (1986) e em setembro de 2013 recebeu da Assembleia Legislativa da Bahia o título de cidadão baiano.

A presidenta Nacional do Partido Comunista do Brasil, Luciana Santos, divulga nota de pesar e homenagem ao militante comunista:

Homenagem a um bravo combatente comunista

A simplicidade, a solidariedade e a determinação revolucionária foram as marcas do generoso militante comunista Carlos Valadares, que faleceu hoje em Minas Gerais, vítima de um câncer.

A luta contra o regime militar sanguinário lhe rendeu a expulsão da Faculdade de Medicina de Minas Gerais, em 1968, um período de militância na clandestinidade e uma prisão em Minas Gerais num período de intensa luta sindical dos metalúrgicos mineiros. Foi preso junto com sua companheira Loreta Valadares e barbaramente torturado.

Após sair da prisão foi obrigado a se exilar na Europa, onde continuou sua atividade revolucionária morando na Suécia, onde concluiu o curso de Medicina. Voltou ao Brasil com a conquista da anistia pelo movimento democrático contra a ditadura fascista.

Atuando na Bahia, foi então eleito para o Comitê Estadual do PCdoB em 1980 e passou a exercer um conjunto de tarefas no movimento sindical dos médicos e dos trabalhadores metalúrgicos de Camaçari e dos bancários do estado.

Exerceu ainda importantes funções públicas como secretário do Meio Ambiente e Defesa Civil em Salvador, entre outras responsabilidades.
Como ele mesmo dizia: “Meu passado é hoje, meu presente, caminho para o futuro”. Nos despedimos de sua contribuição desejando toda a solidariedade que ele nos ensinou aos familiares e amigos que deixou.

Carlos Valadares, presente!

Luciana Santos
Presidenta Nacional do Partido Comunista do Brasil

O PCdoB da Bahia também emitiu nota de pesar. Leia abaixo:

É com profundo pesar que o Comitê Estadual do PCdoB informa a morte do médico e militante histórico Carlos Antônio Melgaço Valadares, o nosso Carlos Valadares, ocorrida na madrugada desta terça-feira (20/10), em Belo Horizonte (MG). Carlos tinha 75 anos e teve complicações após passar por uma cirurgia, no último final de semana.

Natural do município mineiro de Sete Lagoas, Carlos Valadares passou boa parte da vida em Salvador, depois que conheceu a primeira esposa, a professora feminista Loreta Valares, no movimento estudantil – ele foi, inclusive, dirigente da UNE. Por conta das mobilizações contra a ditadura civil-militar (1964-1985), o casal foi preso, torturado e exilado na Argentina e na Suécia – neste último país Carlos concluiu o curso de medicina.

De volta ao Brasil, Carlos especializou-se em Medicina do Trabalho e passou a atuar junto a diversos sindicatos baianos e no Polo Industrial de Camaçari na defesa da saúde da classe trabalhadora do estado. Foi um dos responsáveis pela implantação do Centro Estadual de Saúde do Trabalhador, o CESAT, criado em 1988, com sede em Salvador.

A militância do PCdoB baiano está consternada com a notícia da morte de Carlos. Conhecido pela simpatia, humanismo e dedicação à luta contra as injustiças, que marcou a sua biografia, ele foi um militante de primeira hora, querido e reconhecido quadro comunista que incalculáveis contribuições deu à construção do partido no estado.

Em nome do presidente estadual, Davidson Magalhães, o PCdoB da Bahia homenageia a digna e virtuosa trajetória Carlos Valadares, ao tempo em que se solidariza com familiares e amigos por essa irreparável perda. Ele deixa marcas profundas nos corações de todos e todas que acreditam em um fazer político humano, terno, e, ao mesmo tempo, com bravura e firmeza.

Neste momento triste, lembramos de um poema de Loreta Valadares:

“Não te esqueças de mim
minha memória…
a vida que levei
as lutas que ganhei e as sem vitória.
Não te esqueças de meu sonho
a gargalhada e de minh’alma apaixonada
que te fique a lembrança enlouquecida de viver.”

Você é inesquecível, Carlos!

Leia abaixo a nota do comitê estadual de Minas Gerais e assista vídeo sobre a trajetória de Carlos Valadares:

Nos deixou Carlos Valadares, um comunista exemplar

Carlos Antônio Melgaço Valadares vinculou-se à luta revolucionária desde cedo. Nasceu em Sete Lagoas, Minas Gerais. Em 1963, aos 17 anos, começou o curso de Medicina na Universidade Federal de Minas Gerais. Nos anos seguintes combateu a Ditadura com o corpo e a alma. A partir de 31 de julho de 1969, já ao lado de sua então esposa e companheira de luta, Loreta Valadares, a prisão, a tortura, a condenação e o exílio o obrigaram a concluir o curso somente muitos anos depois, na Suécia. De volta, a Universidade Federal da Bahia revalidou seu diploma. Carlos, enfim, pôde exercer a profissão que escolheu. Especializou-se em Medicina do Trabalho.

Desde o início dos anos 1980, Carlos foi dirigente do Partido Comunista do Brasil. Engajou-se na luta sindical, no movimento médico e foi secretário municipal de meio ambiente de Salvador.  Em 2013 recebeu o título de cidadão baiano concedido pela Assembleia Legislativa daquele estado. Tornou-se um militante pela reparação dos crimes cometidos pela Ditadura Militar. Foi membro da Comissão da Verdade em Minas Gerais e contribuiu para a elaboração do rico relatório final da comissão publicado em 2017. Seu depoimento ficará registrado na história da luta do povo brasileiro pela liberdade.

Nos últimos anos dedicou-se ao Partido em Minas e Belo Horizonte. Carlos foi e sempre será um exemplo de dedicação à elevação da formação política, teórica e ideológica dos comunistas. Entre 2017 e 2019 foi secretário municipal de Formação do PCdoB BH.

Carlos faleceu na madrugada dessa terça-feira, 20 de outubro, por conta de complicações pós cirúrgicas. O Partido Comunista do Brasil em Minas e BH se solidariza com toda a família de Carlos. Em especial, sua amada companheira, Gislene e seus irmãos, Paulo, Juarez e Marylene.

A nós que temos a missão de continuarmos o caminho trilhado por Carlos em toda sua vida, fica a responsabilidade de honrar seu exemplo e continuar a tarefa de tantas gerações na luta pelo Brasil socialista.

Carlos Valadares, presente.

Partido Comunista do Brasil
Comitê Estadual de Minas Gerais
Comitê Municipal de Belo Horizonte