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Thiago de Mello indicado novamente ao Jabuti

Cezar Xavier Publicado em 24.10.2016

O livro Acerto de Contas disputa na categoria Poesia ao Prêmio Jabuti 2016. O poeta amazonense é habitué do prêmio até quando publica coletânea. Uma demonstração do vigor e atualidade de sua poesia humanista e desinteressada dos modismos literários.

Criado em 1958, o Jabuti é o mais tradicional e consagrado prêmio do livro no Brasil. É uma distinção que dá ao seu ganhador mais que uma recompensa financeira. Ganhar o Jabuti representa dar à obra vencedora o lastro da comunidade intelectual brasileira. Um corpo de jurados especializado, composto por profissionais com ampla bagagem em suas respectivas áreas de atuação, faz a análise das obras.

O primeiro colocado em cada categoria ganha um prêmio em dinheiro, e os segundos e terceiros colocados de cada categoria receberão os troféus do Prêmio Jabuti.A premiação será no dia 11 de novembro, no 10 andar do Edificio dos Andradas, à Av Ipiranga 1267, no centro de São Paulo.

A última láurea dada a Thiago de Mello pela curadoria do Jabuti foi em 2002, quando do lançamento de Poemas Preferidos pelo Autor e seus Leitores (Record). Mas ele foi o destaque poético em 1997 com De Uma Vez Por Todas (Civilização Brasileira) e foi o primeiro lugar em 2000 com Campo de Milagres (Bertrand Brasil). Um reconhecimento tardio ao poeta que marcou uma geração com o poema Os Estatutos do Homem, durante a resistência à ditadura militar. 

Os demais poetas na disputa são Arnaldo Antunes, Eliane Robert Moraes, Luis Dolhnikoff, Leonardo Aldrovandi, Marcos Siscar, Salgado Maranhã, Ademir Assunção, Nuno Ramos, Fabio Weintraub, Guilherme Gontijo Flores, Chico César, Wilson Alves Bezerra, Leila Guenther. 

Acerto de contas com a poesia

Sentenciado pelo próprio autor como a última obra de sua lavra no campo da poesia, Acerto de contas (Global Editora, R$ 32, 176 páginas) é um balanço de toda a produção literária de Thiago de Mello. Dedicado a outros diversos escritores como Joel Rufino dos Santos, Darcy Ribeiro, Gilberto Freyre, entre outros, o livro apresenta mais de setenta poemas inéditos escritos durante sua carreira. A obra está dividida em cinco partes, sendo a última uma espécie de acerto de contas com a vida.

Neste livro, o poeta da floresta povoa seus versos com o aroma de sua maneira doce e corajosa de avistar os recantos mais desconhecidos da condição humana. Poeta de fina sensibilidade e de profundo compromisso com os destinos do mundo, suas criações estão permeadas pela vivacidade de sua trajetória em defesa da humanidade e da natureza.

O livro apresenta também algumas preciosidades, como uma carta que Drummond escreveu para Thiago em 1986, além de um poema escrito por Thiago Thiago de Mello, filho do poeta.

Com 88 anos, Thiago de Mello publicou, aos 25 anos, seu primeiro livro de poemas, Silêncio e palavra, e, desde então, nunca mais parou de escrever. “Nasci com o ritmo dentro de mim e é da própria vida que nascem os meus poemas. A inspiração vem da vida do homem neste lugar chamado Terra. O que me comove ou me espanta me dá esperança ou indignação”, revela.

[...]
Coragem tenho de me ver. Contudo,
construo devagar o que mais quero:
findar me vendo no meu próprio espelho.

Valeu-me a vida quando descobri
que o ser é a minha própria gravidade.
Se ela desmaia, eu me desapareço.

(O Ser em Soneto, dedicado a Tenório Telles)