Especiais - PRINCÍPIOS 159: Uma nova Princípios para um novo tempo

Diálogo de Princípios com política, agrega, agora, o mundo científico

Cezar Xavier Publicado em 28.09.2020

Editor da revista, Fábio Palácio, sinaliza que Princípios muda para se qualificar e se tornar uma revista de elevado mérito científico, num mundo em que a hegemonia civil e a luta das ideias não deve ser subestimada.

Fábio Palácio, editor da revista Princípios

A edição 159 da revista Princípios chega às mãos dos leitores com uma nova proposta editorial. Com quase quatro décadas de existência, a revista renova seu formato, perfil e conselho editorial para se inserir no debate nacional qualificada para os desafios da nova ordem política e econômica.

Foi com este tom que a nova edição foi lançada neste início de setembro (3), com apresentação dos envolvidos na empreitada, sob a mediação da socióloga Ana Prestes, também editora-executiva da revista. 

Quatro contribuições

O jornalista Fábio Palácio de Azevedo, professor da UFMA, destacou como editor da revista sua trajetória de quatro décadas, nas quais deu quatro valiosas contribuições ao pensamento marxista brasileiro.

Ele mencionou a luta pela redemocratização, nos seus anos iniciais, formulando propostas para a Constituinte. A crise do socialismo no final dos anos 1980, “quando muitos rasgavam as vestes comunistas abandonando o marxismo e renegando a perspectiva do socialismo”. “Princípios reconheceu a crise do marxismo, mas apontou como alternativa não renegar, mas renovar a teoria como forma de retomar e avançar a perspectiva socialista”, disse.

Para Palácio, uma contribuição muito especial foi o combate ao neoliberalismo em toda a década de 1990. “Falo com toda convicção, que a Princípios foi a publicação que fundamentou teórica e politicamente o combate ao neoliberalismo. Foi a primeira publicação que definiu os contornos e significados do neoliberalismo do Brasil, num período que ninguém no país, mesmo na academia, menciona o neoliberalismo. Princípios foi pioneira em fundamentar o que era o projeto e os caminhos de combate a esse projeto”, garantiu. 

Outra grande contribuição foi a fundamentação de um novo projeto nacional de desenvolvimento como o caminho concreto para o socialismo. Algo que se deu tanto do ponto de vista teórico, quanto por propostas concretas de políticas públicas, muitas delas implementadas no ciclo de governos progressistas que vigorou no país entre 2003 e 2016.

“Todas essas inestimáveis contribuições só foram possíveis graças ao trabalho das gerações que nos antecederam no trabalho editorial da Princípios”, celebrou.

Palácio homenageou os leitores da revista, “razão última do trabalho”, na pessoa de José Carlos Cardoso, o Tisiu, falecido no dia do lançamento da revista. “Um operário ilustrado, que sempre confessou ser um leitor voraz da revista”, descreveu. 

Revista nível A4 e novas práticas

Palácio admitiu que a nova equipe assume a revista “a partir de um patamar elevado”. De acordo com ele, Princípios muda para se qualificar, como revista científica, para os desafios presentes, para buscar dar respostas a esse novo momento que se coloca hoje. 

“Tempo de poder político cada vez mais organizado sob a fórmula de hegemonia civil, que a luta de ideias se torna cada vez mais complexa. Recuar diante dessa luta, subestimando essa dimensão da luta de ideias, não nos ajuda em nada no combate”, alerta ele.

Segundo o especialista em comunicação, a revista muda para se devotar às questões de fundo da teoria, a política e da cultura. “A gente vai abordar, sob uma ótica cada vez mais aprofundada, as grandes questões da política, da filosofia, das ciências duras e moles, da educação, da história, da cultura popular e erudita, da literatura e das artes”, pontuou.

Por isso, uma coisa que preocupa a nova equipe, nesse novo projeto, é torná-la uma revista de elevado mérito científico. Palácio ressaltou que Princípios já é, hoje, uma revista muito bem avaliada pelo estado brasileiro, por meio da condução de uma agência prestigiada como a Capes. 

Nessa pré-classificação, a revista já ocupa um nível A4, que é considerado elevado. Significa que, entre oito níveis, ela ocupa o quarto.

“Um dos pontos que a gente não se dá muito conta é que princípios é uma revista muito citada”, afirmou. Em sua opinião, isso se dá, pelo fato dela possuir um rico acervo, de muito valor e atualidade. “Textos de décadas atrás, preservam enorme atualidade no tempo presente”, declarou o editor. 

Para aumentar ainda mais esse nível da revista, serão implementadas algumas práticas. O formato de Journal, publicada a cada quatro meses, com dossiês com ampla divulgação prévia, através de editais, textos revisados por pessoas das mesmas áreas, a chamada “pair review”, com avaliação cega são algumas dessas práticas que garantirão o alto nível científico da revista. 

A revista será toda indexada, passa a ter registro Doi, registro eletrônico que permite a rápida recuperação de publicações e citações. E, aos poucos, ela será incluída nos indexadores, repositórios eletrônicos que armazenam grandes acervos e bancos de dados de revista, como Google Scholar, Diadorim, Latindex, Scielo, onde professores, pesquisadores e estudantes procuram cotidianamente fontes teóricas de suas pesquisas. 

“Sem deixar de dialogar com o mundo político, Princípios vai passar a dialogar com a comunidade científica, acadêmica e cultural. Acreditamos que essas mudanças vão enriquecer a cultura geral e a cultura marxista não só da esquerda, mas de todo o movimento progressista do país”, afirmou.

Ele ainda destacou, em particular, as novas gerações que a revista terá melhores condições de alcançar, por sua vinculação às novas tecnologias e meios virtuais. 

 


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