Seminários e Debates - O papel da Agricultura no Centro-Oeste brasileiro

Seminário debate papel estratégico do Centro-Oeste para a economia

Cezar Xavier, de Brasília Publicado em 01.09.2015

Em meio à crise econômica, especialistas apresentam a região como uma das mais dinâmicas e promissoras para superação de limitações do desenvolvimento nacional. A discussão sobre gargalos de infraestrutura e logística abriu o debate apontando a estratégia do Governo que deve ser um marco para o avanço histórico da região.

A parceria entre a Fundação Maurício Grabois e a Secretaria de Organização do PCdoB promoveu o Seminário “O papel da agricultura no desenvolvimento do Centro-Oeste brasileiro”, nesta segunda-feira (31), na Câmara dos Deputados, em Brasília. O evento reuniu quadros gestores, intelectuais, lideranças sociais e empresariais que apresentaram um quadro surpreendente e promissor sobre a economia do centro-oeste brasileiro.

O presidente da Fundação Maurício Grabois, Adalberto Monteiro, apresentou uma análise da conjuntura de crise política e econômica para nortear o debate sobre o cenário estratégico para a economia regional. Ele criticou a conduta tática da oposição de estimular a política de terra arrasada para “sangrar” o Governo Federal, de forma irresponsável com a economia nacional.

“A oposição se aliou aos procuradores do Ministério Público Federal no sentido de se oporem aos acordos de leniência que garantiriam que as empreiteiras continuassem atuando sem prejuízo para a economia nacional”, mencionou.

Ele mencionou as reações de entidades representativas da sociedade civil e do grande capital nacional em defesa da ordem democrática, para evitar um colapso econômico de proporções imprevisíveis.

“Eles [a oposição política] não aceitaram a derrota e descambaram para o golpismo. Querem sangrar a presidenta para que chegue à eleição aos trapos. A campanha midiática e jurídica em torno da Operação Lava Jato é uma ação para enfraquecer a esquerda como um todo”, avaliou.

Diante de um governo debilitado pela crise política e índices desfavoráveis na economia, “o setor financeiro exerce com primazia seu poder de chantagem”, na opinião de Monteiro. “A alta taxa de juros anula o esforço fiscal, freia o consumo e aumenta o endividamento do Estado. R$ 425 bi em um ano é o que representa essa taxa para o serviço da dívida pública”.

Em sua análise, Monteiro acredita que a imprensa cumpre o papel de espalhar o pânico na opinião público, para garantir a tática da oposição. “Aécio e a mídia dizem que a crise é 100% nacional. Só agora, diante da crise chinesa, comentaristas de tv admitiram a existência de uma crise internacional. Por óbvio, a crise decorre de insuficiências do Governo também, mas com um componente internacional. Temos que ter humildade de assumir nossos erros, mas a obrigação de apresentar uma visão analítica mais ampla dessa crise”, ressaltou ele.

Monteiro salientou o prognóstico da mídia de que Dilma não resistiria a um processo de impeachment na Câmara ainda em agosto. “A arrogância frustrou-se, pois resistimos a agosto. A situação seguira instável e perigosa, com um confronto longo, mas temos que valorizar cada semana da nossa resistência. A sanha golpista foi contida porque houve resistência, foi erguida a bandeira democrática e popular da resistência ao golpe. Dilma foi a luta, saiu do gabinete fazendo movimentações com governadores e prefeitos da base aliada, reunião com empresários e trabalhadores e movimentos sociais”.

Diante do avanço conjuntural, em que a crise política prossegue com resistência popular e oscilações das classes dirigentes, Monteiro defende que o lugar e papel do PCdoB é na linha de frente contra o golpe e a favor da democracia, incentivando a formação de uma frente ampla. “É preciso proteger o emprego e manter os direitos trabalhistas, defender que o Governo deixe para trás a pauta do contracionismo fiscal. É preciso sustentar o combate e a luta nas suas diferentes frentes”, concluiu.

O PCdoB no Centro-Oeste
Ricardo Alemão Abreu, secretário de Organização do PCdoB, apontou a importância de um debate focado numa região como o Centro Oeste para a disputa de ideias que se exige no contexto de ofensiva tática da oposição. “É preciso conhecer o Brasil e elaborar uma teoria de Brasil, por isso, conhecer o Centro-Oeste é necessário para atuar na realidade para estimular o desenvolvimento regional”, analisou.

Alemão apontou o rico processo de conferências que vive o PCdoB no pais todo, debatendo a situação do país, do estado e do município , com o objetivo de aprovar uma diretriz política e eleitoral para os próximos dois anos. “Temos a singularidade de eleições em 2016 para ampliar a força eleitoral e a presença do Partido em prefeituras e câmaras de vereadores”, lembrou o dirigente. Segundo ele, o PCdoB está mais preparado para disputar a hegemonia e a tática, com uma agenda própria, com campanhas enraizadas que disputem a consciência popular.

Após a abertura, começou a apresentação do tema “Os projetos de integração na infraestrutura do Brasil Central”, pelos conferencistas Sérgio Duarte de Castro (PUC-GO) e Apolinário Rebelo, secretário de Desenvolvimento Econômico do DF, com comentários de Fábio Tokarski (UFGO) e Fabrízio Ribeiro, secretário de Ciência e Tecnologia de Anápolis e Chico Borges (Agrobio).

Leia a síntese sobre a primeira mesa do Seminário O Papel da Agricultura no Desenvolvimento do Centro-Oeste brasileiro.

Leia a síntese sobre a segunda mesa do Seminário O Papel da Agricultura no Desenvolvimento do Centro-Oeste brasileiro.