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Publicado em 18.06.2008
É assim que leio uma carta
Por Emily Dickinson


*

É assim que leio uma carta

fecho a porta do quarto e me asseguro

que está trancada

para que não me fuja

a excitação

aí me afasto da porta

para não ser surpreendida

se alguém bater

aí olho as paredes olho o chão apreensiva

com medo que sei lá

a alma de um rato

esteja à espreita

e devagar e com cuidado

eu abro a carta

E aí leio que sou

tudo no mundo

para alguém

nem queira saber

quem é

E fico suspirando pelo Céu

mas outro Céu não o Céu

que Deus dará

 

Emily Dickinson

Alguns poemas

Tradução de José Lira

Editora Iluminuras – edição 2006

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