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Guerrilheiros do Araguaia tinham vínculos com a população, diz professor

Em entrevista ao Portal da Fundação Maurício Grabois, Romualdo Pessoa Campos Filho, mestre em História e professor de Geopolítica do Instituto de Estudos Sociambientais da Universidade Federal de Goiás (UFG), diz que os vínculos estabelecidos pelos guerrilheiros com a população eram “relações de amizades muitas delas inquebrantáveis”. Autor do livro Guerrilha do Araguaia, a Esquerda em Armas (editado pela UFG), ele também afirma que o presidente Lula precisa determinar uma investigação séria sobre o resultado da repressão à Guerrilha no começo dos anos 70.

 

Romualdo Pessoa Campos Filho afirma que os crimes praticados no período militar ceifaram vidas importantes, personagens que seguramente estariam se destacando nos dias atuais na luta política democrática. Para o professor, há muito tempo existem claras evidências de execuções sumárias e de uma guerra de extermínio — versão agora assumida pelo ex-major Curió.

 

O professor enfatiza, ao comentar a versão dos repressores de que dirigentes da Guerrilha “abandonaram” a região dos combates, que é comum em toda ação repressiva a tentativa de desqualificar as lideranças de qualquer movimento revolucionário. Sobre, Maurício Grabois, o comandante da Guerrilha, Romualdo Pessoa Filho diz que ele era um dirigente muito respeitado e bastante ponderado nas relações com seus comandados.

 

Veja a íntegra da entrevista:

 
 
Notícias da Guerrilha do Araguaia

Nessa região o costume é enterrar corpos, não desenterrar. A frase de um morador de Xambioá expressa uma síntese dos acontecimentos destes dias em que surgem novas descobertas sobre a Guerrilha do Araguaia. Além das revelações de novos dados pelo principal algoz daquela resistência democrática, o então major Curió, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça anunciou, em um primeiro momento, que 44 camponeses ou seus familiares têm diretos a indenizações (as matérias a seguir retratam a ação do Ministério da Justiça).

 
Anistia a camponeses resgata o Brasil escondido pela ditadura

Nos anos 1970, aviões da Força Aérea Brasileira realizaram uma verdadeira operação de guerra na região do Bico do Papagaio, entre o Sudeste do Pará e Norte de Goiás (hoje Norte do Tocantins). Mais de 30 anos depois, em 18 de junho de 2009, uma aeronave da mesma FAB pousava no aeroporto de Marabá (PA) – outrora base militar da ditadura – levando o ministro da Justiça, Tarso Genro, cuja missão era pedir perdão em nome de Estado braisleiro a camponeses perseguidos. Um fato histórico e inédito num país que ainda